segunda-feira, 19 de setembro de 2016

domingo, 18 de setembro de 2016

sábado, 17 de setembro de 2016

confronto

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deita-se à sombra
de densos desdizeres
como quem diz:

de tua foz
seca e amarga
por seixos me deixo
rolar para bem além
de teu tortuoso
burburinho

e impulso pega
pois a correnteza
veloz com seu vai e vem
tal como o gozo
uma hora, via de regra
finda-se, com certeza

e é abrupto
o choque insensato
um inglório cessar-fogo
no palavrório corrupto
quando já sem fôlego
cala-se frente ao fato:
o mar, tão fundo e vasto



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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ciclo econômico

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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão

inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda


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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

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bailado negro
celebra cedo no céu -
é o fim do jejum

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presa

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que pressa é essa nos dias que correm
olhos ligeiros mal degustam manchetes
fala e fala o asfalto mas é tudo por alto
o café faz efeito e as mensagens pululam
todos cabisbaixos em conversa animada
o futebol correu e driblou a novela
alguém morreu, roubou, comeu alguém
a todo momento alguém nasce e mal tem tempo
de abrir os olhos antes do primeiro choro
falta fôlego para tão pouco tempo
a noite queima meus olhos e nas cinzas
vejo mero borrão dos dias que correm

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