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uma voz
enterrada escavei
narrativa de eras
perambula sonâmbula
à sombra de abismos
e caminhos incertos
a mim destinados
meus ouvidos são abrigo
minha voz parte
.
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amanhecer de silêncios
fendas no solo ressequido
em trégua d'água
passos que o futuro esqueceu
luz inclemente é riacho
inunda feridas expostas
entrega o vazio entre as
colocações coloquiais
leva sombras e as lava
conta histórias o vento
fecunda a derme de barro
depósitos entre os vãos
sonhos vãos sedimentados
.
como é sensível nossa insensa tez
ao menor toque, mesmo que não frio
dobra-se, encolhe e nu, ora arrepio
ora envergonho orar mais desta vez
nenhuma crença mais intensa fez
duma criança, jarro ora vazio
num vasto lago onde jorra um rio
sua vazão, corrindo densas leis
lago cresce e transborda, ora à porta
ora à janela, toda sua revolta
por preso estar à forma que o comporta
quando se fecham, tanto mais se volta
contra quem há desfeito de suas bordas:
chove que a todos cobre a insensa tez