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cabelos de sol
mar de beijo - menino:
"manhêê, é manhã"
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deita-se à sombra
de densos desdizeres
como quem diz:
de tua foz
seca e amarga
por seixos me deixo
rolar para bem além
de teu tortuoso
burburinho
e impulso pega
pois a correnteza
veloz com seu vai e vem
tal como o gozo
uma hora, via de regra
finda-se, com certeza
e é abrupto
o choque insensato
um inglório cessar-fogo
no palavrório corrupto
quando já sem fôlego
cala-se frente ao fato:
o mar, tão fundo e vasto
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o mar são gotas e gotas
formando frases e acordes
polifonia que é solta
sobre areias e fjords
o mar não cessa, não cessa
toda conversa ele encerra
dele se traça a nascença
dos ais na paz e na guerra
o mar me envolve, me afoga
entra no ouvido e na boca
fica lá dentro, em voga
em mim ecoa e cavouca
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nada vem do vão da janela
não vem brisa, não vem ela
nada bem está quem precisa
duma ducha, sem camisa
nada tem quem larga e não puxa
- com mais força! e mais, puxa! -
nada além de choro e lamento
quando corta fio o vento
nada bem quem deixa pra trás
o sofá mofado dos pais
nada bem melhor e molhado
quem do mar acena ao passado