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domingo, 14 de maio de 2017

sábado, 17 de setembro de 2016

confronto

.



deita-se à sombra
de densos desdizeres
como quem diz:

de tua foz
seca e amarga
por seixos me deixo
rolar para bem além
de teu tortuoso
burburinho

e impulso pega
pois a correnteza
veloz com seu vai e vem
tal como o gozo
uma hora, via de regra
finda-se, com certeza

e é abrupto
o choque insensato
um inglório cessar-fogo
no palavrório corrupto
quando já sem fôlego
cala-se frente ao fato:
o mar, tão fundo e vasto



.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

o mar

.

o mar são gotas e gotas
formando frases e acordes
polifonia que é solta
sobre areias e fjords

o mar não cessa, não cessa
toda conversa ele encerra
dele se traça a nascença
dos ais na paz e na guerra

o mar me envolve, me afoga
entra no ouvido e na boca
fica lá dentro, em voga
em mim ecoa e cavouca

.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

canção calórica

nada vem do vão da janela
não vem brisa, não vem ela
nada bem está quem precisa
duma ducha, sem camisa

nada tem quem larga e não puxa
- com mais força! e mais, puxa! -
nada além de choro e lamento
quando corta fio o vento

nada bem quem deixa pra trás
o sofá mofado dos pais
nada bem melhor e molhado
quem do mar acena ao passado

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

marasmo




                   marasmo
           no mar         pleonasmo
               no ar      asma




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

na ânsia de me amar





na ânsia de me amar
embarcas ao mar à vela
e lanças-te a me amarrar
à proa de tua lapela





sábado, 24 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

os sonhos dos outros


meus sonhos, a mim tão caros e pequeninos
pela maré cobertos de espuma, em areias
no abismo dormindo, encantados por sereias
sonham-se moradas de cavalos-marinhos

agora que se foram, a vida me ensina
navegar é preciso e em volta e meia
ao mar me dirijo, revolto, e pranteia
à dureza em minha voz, e à triste sina

tremo ante sua imensidão e numa fagulha
o sol a esperança reviva em minha vista
e sob os escombros dos sonhos, uma agulha

mera velha garrafa onde jaz uma carta
e ao lê-la sei-me tão pequeno que, otimista
com mais fé singro os mares em dobrada barca