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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

pro ninão

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um dia a mais, um dia a menos
rodando a roda, em sua rota
pés animais, todos corremos
e au aucançá-la, um lírio brota


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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

quarta-feira, 30 de julho de 2014

carnificina



a matança continua...
ser humano é ser um porco
condenado à fartura
de razão para ser morto

terça-feira, 29 de julho de 2014

nossa morta acende

aqui nos reunimos, lenço à mão
com vozes embargadas, feições duras
na chuva que acompanha as sepulturas
de toda relação, quer viva ou não

de nossa, que dizer? foi nosso chão
polido com suor, onde perdura
apesar de nosso esforço, mancha escura
raiz de nossos males desde então

andava muito pálida e soturna
no céu, o lago azul já não lhe prende:
voando qual barquinho, as nuvens fura

pois sempre o horizonte está à frente
e assim também a vida continua.
num barco à vela, nossa morta ascende



* o título e mote do soneto foi inspirado num título de um poeteiro de meia tigela de amor: "Nosso Amor Transcende"

domingo, 27 de julho de 2014

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Deus não se vê, nem se prova
vive de fé, tão somente
perda de tempo e de mente
buscar por luz ante à cova


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sábado, 17 de agosto de 2013

the living dead

a poem is like a virus
neither living nor dead
it doesn't move
it doesn't breath
under heaps and heaps
of earthen material
under tons of rotten dust
all wrapped up
in crumbling yellow pages
it awaits

it then spreads
as soon as you touch it
it still doesn't breath at all
but it inspires you
and then disseminates

. . .

a poet is like a zombie
neither living nor dead
it moves but goes nowhere
its breath, long taken away
under heaps and heaps
of dead poet corpses
under tons of rotten dust
all wrapped up
in ragged yellow pages
babbling and gushing non-sense
it awaits

it then awakes
as soon as it smells
your fresh brain
it's inspired by your fear
but one bite suffices
and it disseminates
then all the babbling and gushing
starts to make sense

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

o fim do ateu


após breve soneca pela eternidade
niemeyer acorda e sente frio e nada
chama e reclama mas mesmo eco se cala
arrisca então uma linha pela infinidade
concluída então mais essa obra
faz-se ponto final e se desdobra



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

a fera consome




 

a fera consome
fome mortal e sorri
dentada fatal






 

a fera consome
fome mortal e sorri
vermelho dental



a fera consome
mortal fome e carniceira
sorri a caveira




sábado, 10 de novembro de 2012

canção de baco


quando baco tem minha atenção
livra-me das musas o suplício
com olhar turvo vejo a mansão
de plutão pelos campos elísios

no subsolo da depressão
da terra oculta gemem em martírio
almas mil que justiça e razão
dos 3 reis livra ou condena o vício

verei essa terra quando sóbrio?
quando desperto do véu da carne
verei sentido com outros olhos?

não importa, a canção de baco
acalentando a alma que arde
esfria medos, torna-os fracos

sábado, 3 de novembro de 2012