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um dia a mais, um dia a menos
rodando a roda, em sua rota
pés animais, todos corremos
e au aucançá-la, um lírio brota
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um dia a mais, um dia a menos
rodando a roda, em sua rota
pés animais, todos corremos
e au aucançá-la, um lírio brota
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a matança continua...
ser humano é ser um porco
condenado à fartura
de razão para ser morto
aqui nos reunimos, lenço à mão
com vozes embargadas, feições duras
na chuva que acompanha as sepulturas
de toda relação, quer viva ou não
de nossa, que dizer? foi nosso chão
polido com suor, onde perdura
apesar de nosso esforço, mancha escura
raiz de nossos males desde então
andava muito pálida e soturna
no céu, o lago azul já não lhe prende:
voando qual barquinho, as nuvens fura
pois sempre o horizonte está à frente
e assim também a vida continua.
num barco à vela, nossa morta ascende
* o título e mote do soneto foi inspirado num título de um poeteiro de meia tigela de amor: "Nosso Amor Transcende"
a poem is like a virus
neither living nor dead
it doesn't move
it doesn't breath
under heaps and heaps
of earthen material
under tons of rotten dust
all wrapped up
in crumbling yellow pages
it awaits
it then spreads
as soon as you touch it
it still doesn't breath at all
but it inspires you
and then disseminates
. . .
a poet is like a zombie
neither living nor dead
it moves but goes nowhere
its breath, long taken away
under heaps and heaps
of dead poet corpses
under tons of rotten dust
all wrapped up
in ragged yellow pages
babbling and gushing non-sense
it awaits
it then awakes
as soon as it smells
your fresh brain
it's inspired by your fear
but one bite suffices
and it disseminates
then all the babbling and gushing
starts to make sense