Mostrando postagens com marcador musas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador musas. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de dezembro de 2012

no aterro das memórias



no aterro das memórias
ecos de ontem
nas raízes do amanhã
escravismo onírico
da pena que escreve
históricas glórias
onde menos contem
bravuras vãs
no fio de bravatas
de eus-líricos
em febril verve
e pura basófia



domingo, 11 de novembro de 2012

te prefiro


te prefiro
às estrelas que ardem exuberâncias distantes
à revoada de pássaros tampando o céu em arrogância
à cintilância cegante do sol sobre a neve
ao erosivo ressoar do vento constante nas pedras
ao sedutor arco-íris enclausurado nas jóias

te prefiro mancha cinza sob papel azul
onde me informa e mais de mim desvendo

lendo o lento desdobrar de tuas formas
em caleidoscópico desenlace
quando enfim o toque de teus frios dedos
dedilham lágrimas mornas sobre a face


te prefiro
e da linha de tiro
com que me firo
te tiro


domingo, 28 de outubro de 2012

sirigaitas descalças




afago o cão
e se paro
ladra, pede mais e mais
do fundo do coração
com ganidos
bestiais




de todos os lenços molhados
que enfeitam meu cesto de lixo
sempre que pernas partem de lado
e vozes por capricho gemem

satisfizeram-me tão somente
aqueles que levam meu sêmen




sirigaita descalça
aos meus ouvidos versos
sopra, cansa e perverso
mais a TV a exalta




a sílfide de prata
de ouro e jóias adornada
jazia no escuro nua
fria e dura

a lápide era de pedra
lascada e banhada
asceta que era
de lua pura

fez-se mito ainda na mocidade
despedindo-se na vã idade
da vida vaidética
sem uma cura




atrofiado instrumento da voz
desafinava a tudo e a todos
vivia sem paz em meio a tolos
desde que da vida ouviu-lhe a canção
perfurando-lhe atroz o coração