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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão
inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda
.
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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão
inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda
.
quem aqui chega
embrulhado em placenta
ungido por lágrimas
não se apercebe de imediato
da aspereza do mundo
mil cicatrizes depois
já seco e erodido
finca com firmeza
a sola do pé no solo
pois teme partir
e fincando se parte
e parte comigo fica
.
os dias da velhice são infinitos
são sempre a mesma coisa indefinida
retalhos de memórias d'outra vida
bailando em frente a olhos que não fito
adia toda espera, todo grito
conforta toda dor imerecida
saber que tudo passa, na saída
por ponto em horizonte tão bonito
o mundo gira, gira e continua
pessoas vão e vêm e vivem vãs
bebês têm mesmo céu que suas mães
qual céu, que, indistinto e todo azul
a vista toda abarca, norte a sul
o velho, qual bebê, vê a vida nua
.
a poem is like a virus
neither living nor dead
it doesn't move
it doesn't breath
under heaps and heaps
of earthen material
under tons of rotten dust
all wrapped up
in crumbling yellow pages
it awaits
it then spreads
as soon as you touch it
it still doesn't breath at all
but it inspires you
and then disseminates
. . .
a poet is like a zombie
neither living nor dead
it moves but goes nowhere
its breath, long taken away
under heaps and heaps
of dead poet corpses
under tons of rotten dust
all wrapped up
in ragged yellow pages
babbling and gushing non-sense
it awaits
it then awakes
as soon as it smells
your fresh brain
it's inspired by your fear
but one bite suffices
and it disseminates
then all the babbling and gushing
starts to make sense
coube a mim dar a vida por encerrada
tanto mais cruel pelo tanto de lutas
por glórias aqui se lhe negando injustas
em tramas pelo estreito palco encenadas
fecham-se as cortinas, vai encarcerada
autora de finas rotinas, da arguta
compreensão da humanidade, e escuta
a indiferença da platéia ingrata
vai em silêncio mas nunca forçada
prenhe de idéias, voz amordaçada
ser canonizada por autoridades
e coube a mim este papel perverso
onde carrasco a eternizo em versos
a vida num sonho de posteridade