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terça-feira, 23 de maio de 2017


desaba sobre mim a escuridão
e a noite como foice me degola
cadáver sem uma boca, logo agora
que berro, sem demora, morre então

os ecos em meu peito ao infinito
borbulham sufocados, tudo em vão
as sombras que sufocam quando grito
são surdas como as portas, que aflição!

silêncio tão completo me recobre
conforto não encontro nesse leito
foi feito de dejetos pouco nobres

um túmulo onde jaz a mim afeito
meu sonho, que de dia, se descobre
murmura mesmos ecos com efeito

terça-feira, 25 de agosto de 2015

.

nenhum sono sana
a crença duma criança
ela cresce com a prece
e com ela sonha na fronha
está sempre à frente
nunca dista além da vista
perdida no bosque ela busca
em meio a pessoas ressoa
a crença é mansa quando avança
é fera quando espera
insana por abismos plana
a crença duma criança
nenhum sono sana

.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

dormem todos e sonham-se despertos
toda luta e rotina, passatempos
vaga mente entre água, fogo e vento
acredita dos sonhos estar perto

quanto mais se aproxima, tão mais certo
tudo mude, ruindo entre lamentos
na memória sepulta a exemplo
do que não se fazer para dar certo

recomeços sem fim na noite eterna
seja rei ou escravo, a mente hiberna
procurando por algo onde não há

há papéis que se dão uns para os outros
seja rei ou escravo, nenhum solto
pesadelo sonhando até acordar

sábado, 15 de dezembro de 2012

no aterro das memórias



no aterro das memórias
ecos de ontem
nas raízes do amanhã
escravismo onírico
da pena que escreve
históricas glórias
onde menos contem
bravuras vãs
no fio de bravatas
de eus-líricos
em febril verve
e pura basófia



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ando sonhando







ando sonhando
sonho andando
desperto
de olhos abertos
dormente
vou em frente
e os obstáculos
de tão surreais
nem os pulo
mais
simplesmente
qual sonâmbulo
pelas ruas deambulo
que coniventes
sinalizam verde
ao ceguinho
passando




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

os sonhos dos outros


meus sonhos, a mim tão caros e pequeninos
pela maré cobertos de espuma, em areias
no abismo dormindo, encantados por sereias
sonham-se moradas de cavalos-marinhos

agora que se foram, a vida me ensina
navegar é preciso e em volta e meia
ao mar me dirijo, revolto, e pranteia
à dureza em minha voz, e à triste sina

tremo ante sua imensidão e numa fagulha
o sol a esperança reviva em minha vista
e sob os escombros dos sonhos, uma agulha

mera velha garrafa onde jaz uma carta
e ao lê-la sei-me tão pequeno que, otimista
com mais fé singro os mares em dobrada barca



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

a vida num sonho


coube a mim dar a vida por encerrada
tanto mais cruel pelo tanto de lutas
por glórias aqui se lhe negando injustas
em tramas pelo estreito palco encenadas

fecham-se as cortinas, vai encarcerada
autora de finas rotinas, da arguta
compreensão da humanidade, e escuta
a indiferença da platéia ingrata

vai em silêncio mas nunca forçada
prenhe de idéias, voz amordaçada
ser canonizada por autoridades

e coube a mim este papel perverso
onde carrasco a eternizo em versos
a vida num sonho de posteridade

domingo, 28 de outubro de 2012

sonho sereno

sonho sereno

sonho de cobrir de cores
teus lábios insaciáveis
de amores incantáveis
por vozes pólen de flores

sonho de correr no céu
nu a me perder nas nuvens
pálidas donde elas surgem
lágrimas regando mel

sonho a noite toda adentro
suando tua tez página
com versos por pena fálica
mas acordo sem alento