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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

 .

conhecer

o infinito espremido entre os dedos

a alegria da ingenuidade

o ocaso dos sonhos

a escritura geológica

o torpor que emana do passado

a solidão da esperança

o terror em incontáveis olhos

a visão enraizada no futuro

o desconhecido amanhã

a luz da manhã

.

quarta-feira, 10 de maio de 2017


rude carranca, o tempo, ele mascara
linhas cruéis com dentes escrevera
na fina tez, pra muitos, a mais cara
da fome eterna exposta na caveira

triste essa história, embora verdadeira a
face de tudo um dia ele massacra
nada sacia o tempo e se atrevera a
todas mascar, profana seja ou sacra

máscaras de papel, cetim ou ferro
pouco protegem - rosto segue enfermo
rugas que expressam fim de obra mais rara

obra sem fim de autor não consagrado
ninguém o lê, eterno desagrado
rude carranca, o tempo, ele mascara

terça-feira, 25 de abril de 2017

faz tempo

.

faz tempo
linha a linha
dentro e fora
sua mais antiga
pois infinda
obra, que ora
definha, ora
a devora

faz tempo
que parte faço
num papel à parte
em meio à face
desse calhamaço
onde se alinha
hora a hora
a vida à arte

faz tempo
obra sem fim
sem começo
e sentido meço
sobre dobras
e rugas as runas
e se desdobra
a parte de mim

.