embaixo de sua batina
mil lamúrias foram ouvidas
mas algumas das mentiras
entram em saias, comovidas
quarta-feira, 30 de julho de 2014
sabatina de dilma
carnificina
a matança continua...
ser humano é ser um porco
condenado à fartura
de razão para ser morto
terça-feira, 29 de julho de 2014
nossa morta acende
aqui nos reunimos, lenço à mão
com vozes embargadas, feições duras
na chuva que acompanha as sepulturas
de toda relação, quer viva ou não
de nossa, que dizer? foi nosso chão
polido com suor, onde perdura
apesar de nosso esforço, mancha escura
raiz de nossos males desde então
andava muito pálida e soturna
no céu, o lago azul já não lhe prende:
voando qual barquinho, as nuvens fura
pois sempre o horizonte está à frente
e assim também a vida continua.
num barco à vela, nossa morta ascende
* o título e mote do soneto foi inspirado num título de um poeteiro de meia tigela de amor: "Nosso Amor Transcende"
domingo, 27 de julho de 2014
aquarela
busco aquela qualidade indefinida
que se encontra nas melhores aquarelas
onde arde a luz solar e te convidas
a viagem matinal por barco a vela
e transporta além do espaço onde se abriga
solo fértil para manchas e procelas
em torrentes derramando-se aguerridas
à mão firme que pincela sobre a tela
não está no enquadramento ou nas cores
nem tampouco em seu traçado ou naquela
paisagem sempre em mente aonde fores
é a cria dos teus óleos em m'ia pena
a tornar uma moldura uma janela
onde enfim tu me encontras e me acenas