sexta-feira, 4 de setembro de 2026

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mais um dia desponta novamente
enquadrado na moldura da janela
e minha prece diária para ela
em silêncio desaponta minha mente

foram dias dourados não recentes
pendurados em minha alma, aquarelas
me aquece, sufoca, me encastela
tal memória de dias me ressente

proteção nunca foi, mera ilusão
um castelo de cartas ruiria
no mais fraco bocejo da razão 

mas razão não pertence ou caberia 
na apertada cela do coração
de presidiário de dias e dias 

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sábado, 14 de março de 2026

quinta-feira, 20 de julho de 2023

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

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aqui jaz Olavo 

diz a sepultura 

d'astros a loucura

tudo cubro e cavo


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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

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cintila um sorriso
embaixo de estrelas
um eco, um latido
acorda sem vê-las 

domingo, 5 de dezembro de 2021

meta verso nessa veia
pois futuro é lirismo:
virtual, tudo permeia
sonho vivo com qual cismo

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

 .

conhecer

o infinito espremido entre os dedos

a alegria da ingenuidade

o ocaso dos sonhos

a escritura geológica

o torpor que emana do passado

a solidão da esperança

o terror em incontáveis olhos

a visão enraizada no futuro

o desconhecido amanhã

a luz da manhã

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terça-feira, 1 de setembro de 2020

 .

uma voz

enterrada escavei

narrativa de eras

perambula sonâmbula

à sombra de abismos 

e caminhos incertos

a mim destinados

meus ouvidos são abrigo

minha voz parte

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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

 


 .

amanhecer de silêncios

fendas no solo ressequido

em trégua d'água

passos que o futuro esqueceu

luz inclemente é riacho

inunda feridas expostas

entrega o vazio entre as

colocações coloquiais

leva sombras e as lava

conta histórias o vento

fecunda a derme de barro

depósitos entre os vãos

sonhos vãos sedimentados

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 fecho olhos

gavetas portas

insuportáveis rotas

traço persigo

sussurros abrigo

comigo acolho

pandemia letargia

noite e dia

acordo ontem

dirijo hoje

amanhã cubro

desculpas planos

perdas pedras

ergo ego


quinta-feira, 25 de maio de 2017

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queimada -
última raiz
solo cede


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como é sensível nossa insensa tez
ao menor toque, mesmo que não frio
dobra-se, encolhe e nu, ora arrepio
ora envergonho orar mais desta vez

nenhuma crença mais intensa fez
duma criança, jarro ora vazio
num vasto lago onde jorra um rio
sua vazão, corrindo densas leis

lago cresce e transborda, ora à porta
ora à janela, toda sua revolta
por preso estar à forma que o comporta

quando se fecham, tanto mais se volta
contra quem há desfeito de suas bordas:
chove que a todos cobre a insensa tez

terça-feira, 23 de maio de 2017

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lake in the road -
all clouds, they shake
under tires load

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desaba sobre mim a escuridão
e a noite como foice me degola
cadáver sem uma boca, logo agora
que berro, sem demora, morre então

os ecos em meu peito ao infinito
borbulham sufocados, tudo em vão
as sombras que sufocam quando grito
são surdas como as portas, que aflição!

silêncio tão completo me recobre
conforto não encontro nesse leito
foi feito de dejetos pouco nobres

um túmulo onde jaz a mim afeito
meu sonho, que de dia, se descobre
murmura mesmos ecos com efeito

segunda-feira, 22 de maio de 2017