domingo, 5 de dezembro de 2021

meta verso nessa veia
pois futuro é lirismo:
virtual, tudo permeia
sonho vivo com qual cismo

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

 .

conhecer

o infinito espremido entre os dedos

a alegria da ingenuidade

o ocaso dos sonhos

a escritura geológica

o torpor que emana do passado

a solidão da esperança

o terror em incontáveis olhos

a visão enraizada no futuro

o desconhecido amanhã

a luz da manhã

.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

 .

uma voz

enterrada escavei

narrativa de eras

perambula sonâmbula

à sombra de abismos 

e caminhos incertos

a mim destinados

meus ouvidos são abrigo

minha voz parte

.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

 


 .

amanhecer de silêncios

fendas no solo ressequido

em trégua d'água

passos que o futuro esqueceu

luz inclemente é riacho

inunda feridas expostas

entrega o vazio entre as

colocações coloquiais

leva sombras e as lava

conta histórias o vento

fecunda a derme de barro

depósitos entre os vãos

sonhos vãos sedimentados

.


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 fecho olhos

gavetas portas

insuportáveis rotas

traço persigo

sussurros abrigo

comigo acolho

pandemia letargia

noite e dia

acordo ontem

dirijo hoje

amanhã cubro

desculpas planos

perdas pedras

ergo ego


quinta-feira, 25 de maio de 2017

.


queimada -
última raiz
solo cede


.


como é sensível nossa insensa tez
ao menor toque, mesmo que não frio
dobra-se, encolhe e nu, ora arrepio
ora envergonho orar mais desta vez

nenhuma crença mais intensa fez
duma criança, jarro ora vazio
num vasto lago onde jorra um rio
sua vazão, corrindo densas leis

lago cresce e transborda, ora à porta
ora à janela, toda sua revolta
por preso estar à forma que o comporta

quando se fecham, tanto mais se volta
contra quem há desfeito de suas bordas:
chove que a todos cobre a insensa tez