sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ciclo econômico

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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão

inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda


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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

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bailado negro
celebra cedo no céu -
é o fim do jejum

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presa

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que pressa é essa nos dias que correm
olhos ligeiros mal degustam manchetes
fala e fala o asfalto mas é tudo por alto
o café faz efeito e as mensagens pululam
todos cabisbaixos em conversa animada
o futebol correu e driblou a novela
alguém morreu, roubou, comeu alguém
a todo momento alguém nasce e mal tem tempo
de abrir os olhos antes do primeiro choro
falta fôlego para tão pouco tempo
a noite queima meus olhos e nas cinzas
vejo mero borrão dos dias que correm

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

céu

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vivo no teto sem fundo
esquadrinhando seus cantos
dei minhas costas ao mundo
donde deitei não levanto

é um teto imenso, profundo
esburacado com idéias
onde cintilam afundo
minhas memórias mais velhas

que venha plano ou rotundo
qual temporal, sem perigo
mesmo que só e vagabundo
sob esse teto me abrigo

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

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nenhum sono sana
a crença duma criança
ela cresce com a prece
e com ela sonha na fronha
está sempre à frente
nunca dista além da vista
perdida no bosque ela busca
em meio a pessoas ressoa
a crença é mansa quando avança
é fera quando espera
insana por abismos plana
a crença duma criança
nenhum sono sana

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

o mar

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o mar são gotas e gotas
formando frases e acordes
polifonia que é solta
sobre areias e fjords

o mar não cessa, não cessa
toda conversa ele encerra
dele se traça a nascença
dos ais na paz e na guerra

o mar me envolve, me afoga
entra no ouvido e na boca
fica lá dentro, em voga
em mim ecoa e cavouca

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domingo, 23 de agosto de 2015

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todo o mundo está quebrado
repartido em mil pedaços
uns se juntam, tudo errado
nenhum cato, só desfaço

revirando aqui e ali
tudo é eco e meus passos
entre escombros que já li
eu os perco quando passo

passei anos e mais anos
à procura de um espaço
que ainda fosse insano
fosse meu, onde me encaixo

quem diria? que surpresa!
o pedaço onde me encaixo
de meus passos me fez presa
e abre a boca logo abaixo

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