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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão
inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda
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moeda
no chão
achada
é sorriso
em boca sem siso
desdentada
cheia de pão
inflação
desmesurada
despudorada
após agachada
cobre onde piso
pela calçada
da menos nobre
cor de cobre
merda
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que pressa é essa nos dias que correm
olhos ligeiros mal degustam manchetes
fala e fala o asfalto mas é tudo por alto
o café faz efeito e as mensagens pululam
todos cabisbaixos em conversa animada
o futebol correu e driblou a novela
alguém morreu, roubou, comeu alguém
a todo momento alguém nasce e mal tem tempo
de abrir os olhos antes do primeiro choro
falta fôlego para tão pouco tempo
a noite queima meus olhos e nas cinzas
vejo mero borrão dos dias que correm
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vivo no teto sem fundo
esquadrinhando seus cantos
dei minhas costas ao mundo
donde deitei não levanto
é um teto imenso, profundo
esburacado com idéias
onde cintilam afundo
minhas memórias mais velhas
que venha plano ou rotundo
qual temporal, sem perigo
mesmo que só e vagabundo
sob esse teto me abrigo
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nenhum sono sana
a crença duma criança
ela cresce com a prece
e com ela sonha na fronha
está sempre à frente
nunca dista além da vista
perdida no bosque ela busca
em meio a pessoas ressoa
a crença é mansa quando avança
é fera quando espera
insana por abismos plana
a crença duma criança
nenhum sono sana
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o mar são gotas e gotas
formando frases e acordes
polifonia que é solta
sobre areias e fjords
o mar não cessa, não cessa
toda conversa ele encerra
dele se traça a nascença
dos ais na paz e na guerra
o mar me envolve, me afoga
entra no ouvido e na boca
fica lá dentro, em voga
em mim ecoa e cavouca
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todo o mundo está quebrado
repartido em mil pedaços
uns se juntam, tudo errado
nenhum cato, só desfaço
revirando aqui e ali
tudo é eco e meus passos
entre escombros que já li
eu os perco quando passo
passei anos e mais anos
à procura de um espaço
que ainda fosse insano
fosse meu, onde me encaixo
quem diria? que surpresa!
o pedaço onde me encaixo
de meus passos me fez presa
e abre a boca logo abaixo
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