segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
nada existe além de mim
sou só eu e m'nhas memórias
nelas trilho rumo ao fim
e se apagam, irrisórias
e se apagam, irrisórias
o sustento de meus passos
finda a rota, finda a glória
também dor, também cansaço
também dor, também cansaço
são memórias, apagadas
quando apagam-se olhos baços
ascendem os pés e as pegadas
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
canção calórica
nada vem do vão da janela
não vem brisa, não vem ela
nada bem está quem precisa
duma ducha, sem camisa
nada tem quem larga e não puxa
- com mais força! e mais, puxa! -
nada além de choro e lamento
quando corta fio o vento
nada bem quem deixa pra trás
o sofá mofado dos pais
nada bem melhor e molhado
quem do mar acena ao passado
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
precavida
quem aqui chega
embrulhado em placenta
ungido por lágrimas
não se apercebe de imediato
da aspereza do mundo
mil cicatrizes depois
já seco e erodido
finca com firmeza
a sola do pé no solo
pois teme partir
e fincando se parte
e parte comigo fica
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
da pequenez das coisas insignificantes
daqui a muito tempo
bem longe daqui
alguém olhará para o céu
como sempre se faz
e dentre cintilações várias
perdida
uma pequena estrela
em volta da qual um pequeno
mundo habitado por grandes
pessoas e dramas
há muito morta
brilhará
num piscar
desfaz-se toda lembrança
de tudo de tão importante
que a tantos importunou
perde-se a medida
do fio da meada
e da violência escalada
e de mais tumba descida
ao coro rouco de vozes
um dia grandes, há muito
pela mais reles e pequenina
criatura vencidas